Ônibus Grátis para Sempre (até a conta chegar na próxima parada).
Time Aluysio Fonseca
7/17/20252 min read
O estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) sobre a adoção da tarifa zero no transporte coletivo urbano no Brasil revela que essa política vem crescendo significativamente, mas destaca que seu sucesso depende fortemente de gestão eficiente e financiamento sustentável.
Apesar de parecer simples à primeira vista (transporte gratuito para todos), o estudo alerta que implementar a tarifa zero demanda controle detalhado sobre custos operacionais, número de passageiros e capacidade dos sistemas municipais, aspectos muitas vezes negligenciados pela gestão pública municipal.
O estudo mostra que a tarifa zero, até o momento, concentra-se majoritariamente em municípios pequenos, com população abaixo de 100 mil habitantes. Nesses locais, a implementação é viável pela simplicidade operacional: menos linhas, menor frota e custos operacionais relativamente baixos facilitam a absorção das despesas pelo orçamento municipal.
Em cidades maiores, especialmente nas metrópoles e capitais brasileiras, a complexidade dos sistemas (que envolve centenas de ônibus, múltiplas rotas e alta demanda de passageiros) torna extremamente difícil oferecer transporte gratuito integral, devido aos elevados custos envolvidos e à falta de recursos específicos que garantam sustentabilidade financeira.
Outro alerta destacado pelo estudo refere-se à necessidade urgente de aprimorar os sistemas de coleta e análise de dados para avaliar adequadamente os impactos da tarifa zero. A ausência generalizada desses dados nas cidades brasileiras impede uma avaliação clara sobre os benefícios reais da gratuidade em termos sociais, ambientais e econômicos.
O relatório reforça que sem dados robustos sobre fluxo de passageiros, horários de pico e demanda real das linhas, a política pode provocar efeitos adversos, como superlotação de ônibus, queda de qualidade do serviço prestado e possível desequilíbrio fiscal municipal.
As contribuições para o futuro apresentadas pelo estudo são claras e pragmáticas; primeiramente, reforça-se a necessidade urgente de instituir mecanismos rigorosos de monitoramento das operações e demanda do transporte público, com criação de indicadores padronizados que permitam análises consistentes sobre desempenho e impactos sociais.
Em segundo lugar, o relatório recomenda que os municípios explorem modelos alternativos e diversificados de financiamento, incluindo fundos específicos, emendas parlamentares e subsídios cruzados, para garantir que a tarifa zero seja financeiramente sustentável e não retire recursos essenciais de outras áreas prioritárias, como saúde e educação.
Por fim, o estudo propõe que a tarifa zero seja parte integrante de políticas mais amplas de mobilidade urbana. Isso significa que sua implementação não pode ocorrer de forma isolada, mas precisa ser acompanhada de investimentos complementares, tais como renovação e expansão da frota, melhorias na infraestrutura das vias e integração efetiva com outros modais de transporte, como bicicletas e metrô, garantindo assim eficiência e qualidade no serviço ofertado.
O estudo da NTU esclarece que, embora promissora, a tarifa zero só será bem-sucedida quando os municípios brasileiros assumirem plenamente os desafios técnicos, administrativos e financeiros que ela traz. Para isso, exige-se responsabilidade na gestão pública, forte investimento em coleta e análise de dados e um planejamento estratégico capaz de sustentar o transporte gratuito como ferramenta real de justiça social e sustentabilidade urbana.