O equilíbrio estratégico entre inovação tecnológica e proteção da informação para cidades brasileiras
Time Aluysio Fonseca
10/17/20253 min read
A transformação dos municípios em cidades inteligentes representa um dos fenômenos mais importantes da governança atualmente. Redes de sensores, plataformas de dados e sistemas de gestão automatizados redefinem a lógica de planejamento urbano e da prestação de serviços públicos.
No entanto, a expansão tecnológica sem a correspondente maturidade em segurança da informação tem exposto administrações municipais e empresas a riscos operacionais, reputacionais e financeiros. A inteligência urbana, portanto, não pode ser reduzida à adoção de dispositivos tecnológicos: ela depende da governança informacional e da capacidade institucional de proteger o dado como ativo estratégico.
A cidade inteligente configura-se como um ecossistema de dados interconectados, nos quais fluxos de informação sustentam decisões em mobilidade, energia, saúde e segurança. A confiabilidade desses fluxos é o que diferencia inovação sustentável de mera digitalização.
A ausência de controles adequados, como gestão de identidades, criptografia, políticas de acesso e protocolos de resposta a incidentes, transforma a interdependência tecnológica em vulnerabilidade sistêmica. Cidades que não tratam a informação como infraestrutura essencial comprometem a continuidade de serviços críticos e a confiança da sociedade nos processos de governo digital.
Não há antagonismo entre inovação e proteção, pois, a segurança da informação constitui condição de viabilidade da inovação e não obstáculo a ela. Ambientes de pesquisa, startups e órgãos públicos somente produzem soluções escaláveis quando sustentados por dados íntegros e por políticas transparentes de governança.
O investimento em ciber-resiliência, anonimização e interoperabilidade segura reduz incertezas, otimiza recursos e potencializa a criação de valor público. A negligência, ao contrário, impõe custos crescentes de recuperação e perda de credibilidade institucional.
A governança inteligente é também resultado de competência organizacional, pois, as estruturas públicas e privadas necessitam incorporar práticas de compliance digital, planos de continuidade de negócios e auditorias de segurança. O dado, quando bem protegido, converte-se em capital informacional capaz de orientar políticas públicas baseadas em evidências e decisões empresariais de alto impacto.
A proteção da informação deve ser entendida como um investimento estratégico, comparável à manutenção de ativos físicos e à qualificação de pessoas. Paralelamente, a dimensão humana é decisiva e a alfabetização digital da força de trabalho e da população é um vetor de mitigação de riscos e de fortalecimento da cultura de segurança.
Servidores, gestores e cidadãos precisam compreender que a integridade da informação é componente de sustentabilidade institucional, visto que, a governança inteligente pressupõe transparência, ética de dados e corresponsabilidade coletiva pelo uso adequado das tecnologias conectadas.
O paradigma da cidade inteligente não se resume a sensores, aplicações ou automação, ele se concretiza quando a inovação tecnológica é acompanhada de políticas robustas de proteção da informação, integrando infraestrutura, processos e pessoas em um mesmo ecossistema de confiança.
A competitividade urbana entre os municípios do futuro dependerá menos da quantidade de dispositivos conectados e mais da capacidade de gerir riscos digitais com eficiência, ética e visão estratégica, pois, a verdadeira inteligência na governança reside na simbiose entre segurança e inovação.
Proteger a informação é proteger o valor público; inovar com responsabilidade é assegurar a continuidade do desenvolvimento e a cidade que deseja ser inteligente deve aprender a equilibrar tecnologia e confiança, transformando cada dado protegido em vantagem competitiva e cada inovação segura em legado duradouro de governança.
Aluysio Fonseca – É doutorando em Biotecnologia, Mestre em Gestão Pública e Bacharel em Sistemas de Informação (UFPI) e Bacharel em Administração (UNIFSA).
Referência
LNENICKA, Martin; KYSELA, Tomas; HORÁK, Oldřich. Building security and resilience: a guide to implementing effective cybersecurity and data protection measures in smart cities. Smart and Sustainable Built Environment, 2025. Disponível em: https://www.emerald.com/sasbe/article-abstract/doi/10.1108/SASBE-09-2024-0363/1259438/Building-security-and-resilience-a-guide-to?redirectedFrom=fulltext