E se sua cidade for a próxima vítima? O preço da inercia climática está sendo pago com vidas, prejuízos e omissão pública.
Adm. Aluysio Fonseca
7/31/20252 min read
Hoje, o cenário contemporâneo das mudanças climáticas impõe aos gestores públicos brasileiros a adoção urgente de soluções práticas e tecnicamente embasadas para garantir resiliência urbana.
A ocorrência recente de eventos extremos como os deslizamentos no Rio Grande do Sul, classificados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) como o maior movimento de massa já registrado no Brasil (G1, 2025), e os devastadores incêndios em Los Angeles, avaliados pela AccuWeather com prejuízos estimados em até US$ 57 bilhões (BBC, 2025), evidencia que os municípios são altamente vulneráveis aos novos padrões climáticos.
Esses episódios não são isolados e nem tampouco inesperados, pois, de acordo com os relatórios do painel intergovernamental sobre mudanças climáticas (IPCC), integrados às discussões realizadas na COP29 em Baku (Nexo Jornal, 2024), reiteram continuamente a necessidade de planos locais robustos que combinem infraestrutura resiliente com soluções energéticas inteligentes.
Essas recomendações convergem explicitamente com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 da ONU (ODS 13 ONU) e as diretrizes estratégicas estabelecidas pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC), instrumentos que destacam a responsabilidade direta dos governos locais na execução de políticas preventivas e adaptativas.
Diante disso, emerge a necessidade de um novo paradigma para os municípios brasileiros: a implantação ágil de soluções tecnológicas integradas e sustentáveis, especificamente focadas em eficiência energética e infraestrutura urbana resiliente.
Pesquisas recentes do Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ONU-Habitat comprovam que investimentos preventivos em tecnologias inteligentes resultam em economias financeiras significativas e redução substancial dos riscos sociais, econômicos e ambientais associados aos desastres climáticos.
Exemplos internacionais demonstram retornos médios entre três e cinco vezes superiores ao investimento inicial, consolidando um argumento irrefutável em favor da adoção imediata dessas práticas pelos gestores públicos nacionais.
A proposta, portanto, exige ações específicas como auditorias digitais de eficiência energética, paralelamente, o desenvolvimento de redes integradas de sensores ambientais, incluindo sistemas de monitoramento climático e plataformas digitais de gestão de risco, revela-se essencial para antecipar catástrofes, protegendo vidas e garantindo a integridade urbana.
A implementação desse tipo de solução tecnológica, contudo, depende fundamentalmente de um trabalho articulado entre gestores municipais e especialistas em cidades inteligentes, capazes não apenas de propor, mas efetivamente executar projetos técnicos sustentáveis e embasados em evidências.
O contexto brasileiro oferece múltiplas opções de financiamento e apoio, incluindo o Fundo Clima do BNDES e o Fundo Verde para o Clima (GCF/ONU), que já preveem explicitamente mecanismos direcionados a projetos locais dessa natureza.
Portanto, aos gestores públicos cabe não apenas reconhecer a urgência imposta pelos novos desafios climáticos, mas posicionar-se proativamente na busca por parcerias qualificadas.
Como especialistas em cidades inteligentes e governança urbana, estamos prontos para oferecer essa parceria, agregando conhecimento técnico, estratégias comprovadas e capacidade institucional necessária para transformar cidades vulneráveis em territórios inteligentes, sustentáveis e resilientes. Afinal, a mudança climática já se impôs como realidade cotidiana; a resposta dos municípios não pode mais esperar.
Aluysio Fonseca – É doutorando em Biotecnologia, Mestre em Gestão Pública e Bacharel em Sistemas de Informação (UFPI) e Bacharel em Administração (UNIFSA).