As Cidades Inteligentes Podem Revolucionar o Saneamento Básico

CIDADES INTELIGENTESSISTEMAS DE INFORMAÇÃOGESTÃO PÚBLICA

Time aluysiofonseca

7/17/20243 min read

Defino o conceito de cidade inteligente como uma cidade que, dotada de automação, integra de forma holística diversos aspectos do desenvolvimento urbano, como meio ambiente, saúde e educação.

No que se refere ao meio ambiente, nosso foco recai sobre o saneamento básico. Afirmo, desde já, que uma cidade só pode ser considerada inteligente se for efetivamente automatizada, visando à melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.

É imprescindível que as cidades evoluam para se tornarem inteligentes, a fim de automatizar tanto a distribuição quanto a universalização do abastecimento de água, o que permitirá aprimorar esses sistemas de saneamento, transformando-os em verdadeiros modelos de eficiência e sustentabilidade.

Portanto, a tecnologia e o saneamento básico devem desenvolver uma sinergia essencial, de modo que, com o auxílio da automação, por meio da internet das coisas e da inteligência artificial, possam melhorar o monitoramento e a eficiência dos sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgotos.

Para exemplificar a dimensão da adversidade, no Estado do Piauí, que possui 3.271.199 habitantes¹, ainda no século XXI, 972.574 habitantes não têm acesso à água² e 2.660.067 não contam com coleta de esgoto². Na capital, Teresina, com 866.300 habitantes¹, 45.133 pessoas ainda estão sem acesso à água² e 510.575 sem coleta de esgoto².

Esses dados abrem uma oportunidade impar em evidenciar que a transformação para cidades inteligentes, por meio da automação, pode não apenas ajudar a reduzir esses números, mas também promover a efetividade da universalização dos sistemas de abastecimento e tratamento de esgoto, visando promover a dignidade humana.

Essas ações são fundamentais para o estabelecimento de uma política efetiva de saneamento básico, pois, sem infraestrutura adequada, a população fica sujeita a doenças, o que interfere diretamente em sua qualidade de vida, renda e educação, entre outros aspectos.

A universalização do acesso à água potável e ao tratamento de esgoto ainda é um sonho distante. Nesse cenário, as graves consequências para o desenvolvimento urbano comprometem a saúde das pessoas e sobrecarregam os serviços de saúde pública.

Existem inúmeros desafios e oportunidades no saneamento em cidades inteligentes. Apesar das promessas da tecnologia, a implementação efetiva de cidades inteligentes no contexto do saneamento enfrenta muitos desafios, como a falta de integração de políticas públicas que favoreçam a adoção de inovações na automação e nos processos de saneamento.

Os custos de implantação são consideráveis, mas os benefícios a longo prazo, como a redução de perdas e o uso mais eficiente dos recursos hídricos, podem justificar esses investimentos, desde que as tecnologias sejam utilizadas de forma eficaz.

As cidades inteligentes oferecem uma nova perspectiva para o saneamento básico, onde a automação é uma aliada na promoção de um ambiente mais saudável e sustentável. É essencial que as cidades transformem seus sistemas de saneamento, garantindo acesso universal a serviços de qualidade e contribuindo para a sustentabilidade ambiental.

Gestores públicos e da iniciativa privada são convocados a reconhecer o potencial das cidades inteligentes na transformação do saneamento básico. Ao investir em automação, os sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgotos não apenas cumprem sua função em relação à dignidade humana, mas também avançam na própria sustentabilidade das cidades, servindo como modelos para o desenvolvimento urbano em todo o mundo.

¹Disponível em https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/

²Disponível em https://www.gov.br/cidades/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/saneamento/snis/painel

Este artigo de opinião reflete unicamente as visões do autor e aborda seus estudos sobre cidades inteligentes e cidades digitais. Em sua análise sobre o saneamento básico, ele enfatiza a importância de uma abordagem integrada que ultrapassa o uso da automação, concentrando-se também em planejamento urbano, políticas públicas e sustentabilidade.

Adm. Aluysio Fonseca – É doutorando em Biotecnologia, Mestre em Gestão Pública e Bacharel em Sistemas de Informação (UFPI) e Bacharel em Administração (UNIFSA). Atualmente é Diretor-Presidente da aluysiofonseca.