Arrecadação Recorde e Reforma Tributária: Um Novo Cenário Econômico do Brasil
Oportunidades e Desafios para Empresas no Brasil.
CIDADES INTELIGENTESADMINISTRAÇÃOGESTÃO PÚBLICA
Time aluysiofonseca
1/28/20253 min read
¹O ano de 2024 trouxe à tona desafios profundos e complexos para a economia brasileira, expondo os contrastes entre avanços em determinados setores e dificuldades estruturais persistentes. Apesar de relatos otimistas sobre arrecadação recorde e modernização fiscal (Governo fecha ano com arrecadação recorde de R$ 2,65 trilhões e o valor é o maior registrado desde o início da série histórica em 1995), a realidade enfrentada pelos brasileiros revela uma economia em transição, marcada por pressões inflacionárias, juros elevados e desigualdades que afetam diretamente o poder de compra da população.
A inflação no Brasil ultrapassou as metas estabelecidas, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicando aumentos expressivos em itens essenciais. Um dos exemplos mais marcantes foi o preço da carne bovina, que subiu 20,8% para os consumidores em 2024, enquanto os preços de exportação aumentaram apenas 4,3%.
Essa disparidade é explicada, em grande parte, pela desvalorização do real frente ao dólar, que encareceu os produtos no mercado interno e ampliou a rentabilidade dos exportadores. O câmbio desvalorizado, que registrou uma alta de 27% no dólar ao longo do ano, foi impulsionado pela desconfiança do mercado em relação à política fiscal do governo e pela elevação das taxas de juros nos Estados Unidos.
Essa situação teve impacto direto na economia, pressionando o custo de vida dos brasileiros e reduzindo o poder de compra. A taxa Selic, principal instrumento do Banco Central para controle da inflação, atingiu patamares elevados, chegando a 13,25% ao ano em dezembro de 2024, com projeções de aumento para 15% em meados de 2025.
Embora o controle inflacionário seja essencial, os juros altos impõem um custo elevado ao setor produtivo, dificultando investimentos e ampliando os custos de financiamento, especialmente para pequenas e médias empresas. Segundo especialistas², a política monetária restritiva, mantida há 36 meses, já opera em um nível contracionista significativo, limitando o dinamismo econômico e penalizando setores que dependem de crédito para inovação e expansão.
Apesar dos avanços na aprovação de uma ampla reforma tributária, os efeitos práticos ainda estão em fase de transição. A introdução de novos tributos, como o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), visa simplificar o sistema tributário e ampliar a base arrecadatória.
Contudo, empresas enfrentam dificuldades para se adequar às mudanças, com custos adicionais relacionados à atualização de sistemas e conformidade fiscal. Adicionalmente, a gestão de créditos tributários sob novas regras tem criado tensões em cadeias produtivas, especialmente para pequenos negócios que possuem menor capacidade de adaptação.
O impacto econômico dessas políticas é sentido de forma mais severa pela população de baixa renda, que enfrenta aumentos desproporcionais em itens básicos, como alimentos e energia. Por outro lado, setores exportadores têm se beneficiado da desoneração tributária e da competitividade gerada pelo câmbio favorável.
A disparidade entre ganhos do setor produtivo exportador e as dificuldades do mercado interno reforça a necessidade de políticas públicas mais equilibradas, que busquem reduzir as desigualdades e ampliar o acesso a bens e serviços essenciais. Apesar dos desafios, o Brasil apresenta resiliência em setores estratégicos e mantém potencial para retomada sustentável.
A modernização tributária, se bem implementada, pode gerar ganhos de competitividade a longo prazo. No entanto, para que o país alcance estabilidade econômica, será necessário um esforço conjunto que envolva controle fiscal, políticas monetárias mais equilibradas e estímulos seletivos ao crescimento.
Empresas que investirem em tecnologia, análises financeiras detalhadas e capacitação de suas equipes estarão melhor posicionadas para enfrentar as adversidades e aproveitar oportunidades em um cenário global competitivo. Já o governo precisará avançar em medidas que tragam mais previsibilidade ao ambiente de negócios e mitiguem os impactos negativos sobre a população mais vulnerável.