A Resiliência enquanto Estratégia para as Empresas Familiares no Brasil atualmente.
Time aluysiofonseca
2/6/20253 min read
As empresas familiares ocupam uma posição de destaque na economia de todos os países, atuando como vetores essenciais de geração de riqueza e empregos, representando uma parcela significativa do PIB e absorvendo grande parte da força de trabalho.
Essas organizações desempenham um papel que vai além do campo econômico, refletindo-se também em aspectos culturais e sociais. No entanto, a gestão de empresas familiares apresenta desafios particulares, exigindo estratégias específicas para equilibrar as demandas da dinâmica familiar com as necessidades de um mercado em constante evolução.
Um dos aspectos mais distintivos das empresas familiares é a constante busca por um equilíbrio entre tradição e inovação. Enquanto a preservação de valores e da identidade histórica constitui um diferencial competitivo, a capacidade de adaptação às demandas tecnológicas, sociais e ambientais é fundamental para garantir sua perenidade.
Por isso, tal equilíbrio requer uma visão estratégica, habilidade para gerenciar mudanças e um compromisso permanente com a evolução do negócio. Entre os desafios mais complexos, destaca-se o planejamento sucessório.
A transição de liderança¹ pode definir o futuro da organização, e, sem um planejamento adequado, pode gerar instabilidade interna e comprometer a governança. Portanto, a formação de herdeiros é um investimento estratégico, e programas de desenvolvimento focados em competências gerenciais e liderança são indispensáveis para preparar as futuras gerações para assumir posições de comando com sucesso.
A governança corporativa², por sua vez, representa um norteador para a sustentabilidade das empresas familiares. Estruturas robustas de governança, incluindo conselhos administrativos e consultivos que incluam profissionais externos, podem agregar expertise e oferecer uma perspectiva imparcial na tomada de decisões estratégicas.
Além disso, a institucionalização de regras e processos internos fortalece a transparência e mitiga potenciais conflitos, promovendo um ambiente de negócios mais sólido e previsível. Outro² fator decisivo é a transformação digital, pois muitas empresas familiares enfrentam resistência à adoção de tecnologias disruptivas, o que pode limitar seu potencial de crescimento.
A implementação de soluções tecnológicas, como análise de dados, automação e inteligência artificial, é o caminho natural para aumentar a eficiência operacional e melhorar a experiência do cliente. Alinhar essas iniciativas às necessidades específicas do negócio requer um planejamento rigoroso e uma abordagem colaborativa entre as gerações que compõem a empresa familiar.
Em paralelo, a integração de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) é um componente cada vez mais relevante para a estratégia de longo prazo. Empresas familiares possuem uma vantagem nesse aspecto, pois suas operações frequentemente estão alinhadas com princípios éticos e com a responsabilidade social.
Incorporar esses critérios de ESG às estratégias corporativas pode gerar valor significativo, atraindo investidores e consolidando a reputação da organização junto às partes interessadas. Quanto à captação de recursos, a preservação do controle acionário dentro da família é frequentemente vista como um fator crítico.
Assim, para enfrentar esse desafio³, as empresas podem explorar fontes alternativas de financiamento, como parcerias estratégicas e fundos especializados. A clareza e o alinhamento entre os interesses dos investidores e da família são essenciais para que esses recursos sejam empregados de forma eficaz, impulsionando a expansão dos negócios sem comprometer sua essência.
Por fim, o planejamento estratégico é a base para o crescimento sustentável. A definição de objetivos claros, metas mensuráveis e indicadores de desempenho permite que as empresas familiares monitorem seu progresso e ajustem suas abordagens conforme necessário.
Essa prática, aliada a uma cultura de aprendizado contínuo, é fundamental para que a organização permaneça competitiva em cenários de alta complexidade. O papel das empresas familiares na economia é inegável, e, para garantir sua longevidade e relevância, é necessário que invistam em inovação, governança e capacitação.
Hoje, enfrentar esses desafios com profissionalismo e planejamento permite que essas organizações não apenas superem as adversidades, mas também construam um legado duradouro para as próximas gerações.
Aluysio Fonseca – É doutorando em Biotecnologia, Mestre em Gestão Pública e Bacharel em Sistemas de Informação (UFPI) e Bacharel em Administração (UNIFSA). Atualmente é Diretor-Presidente da aluysiofonseca governança e inovação.
Referência
¹BISSANI, Letícia Gnach; MILANO, Lígia Kruger Bresolin. Fatores de sobrevivência de empresas familiares brasileiras que atravessam a terceira geração de sucessão. Research, Society and Development, v. 12, n. 12, e133121244112, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/375967888_Fatores_de_sobrevivencia_de_empresas_familiares_brasileiras_que_atravessam_a_terceira_geracao_de_sucessao. Acesso em: 5 fev. 2025.
²PRICE WATER HOUSE COOPERS (PwC). Pesquisa Global de Empresas Familiares 2023. São Paulo: PwC Brasil, 2023. Disponível em: https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividade/empresas-familiares/2023/pesquisa-global-de-empresas-familiares-2023.html. Acesso em: 5 fev. 2025.
³SILVA, Allanis da; PINHEIRO, Anna Paula Piovesan; MORAES, Leonardo Theon de. A sociedade empresarial familiar e o planejamento patrimonial e sucessório: os benefícios dessa modalidade de planejamento para a continuidade do negócio. Migalhas de Peso, 31 out. 2024. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/418595/planejamento-sucessorio-e-patrimonial-para-empresas-familiares. Acesso em: 5 fev. 2025.